quinta-feira, 3 de abril de 2014
Mais um sonho
E então, juntamente com alguns amigos, ela o convidou para ir junto ao passeio.
Que surpresa! Ele aceitou!
Não há nada de mais em um passeio com seus amigos, seu irmão e levar alguém junto.
Nada de mais... se ela não esperasse por algo a mais.
Eles já sentiam algo um pelo outro, não conseguiam esconder e creio que era perceptível até para seus amigos. Os olhares sempre se encontravam, sempre queriam se encontrar, queriam estar se olhando fixamente, sem parar.
Em cada chance que conseguiam ficar sozinhos durante o passeio os dois deixavam claro os seus sentimentos. "Quando vou conseguir beijar você?", perguntou ele, quase a beijando ali mesmo, no meio do caminho. Ela nada respondeu. Apenas se afastou, sorriu, ficou envergonhada e pensou "espero que consiga logo". Dois tímidos juntos requer uma dose de paciência e uma certeza absoluta de que se pode agir sem que haja arrependimentos.
Ao chegarem ao destino combinado do passeio, uma pausa para aproveitar toda a caminha a uma bela montanha e de lá poder admirar a linda vista. Árvores, pôr do sol, um vento agradável e até um frio típico de um fim de tarde de inverno. Meio distraída, se assusta ao sentir que a sua cintura fora envolvida por braços que a apertavam sem machucar. Que transmitiam querer e proteção e ela nem precisou se virar para saber quem a abraçava. Era ele!
Um sorriso brotou em seu rosto, suas mãos seguraram as mãos dele e nessa hora pouco importava a timidez, os amigos olhando a cena e ficando surpresos com aquilo. Naquele momento tudo era apenas os dois e mais ninguém.
Passeio encerrado, a noite caindo e era hora de voltar.
Ele não deixou que ela fosse sozinha, sem alguém ao seu lado. A segurou pelas mãos e seguiram. Os amigos apertaram o passo na frente, os deixando sozinhos mas sempre um pouco à vista. Quando não mais dava para ver os amigos no caminho ela não se conteve. Parou em sua frente e apenas disse: "Eu não posso mais esperar".
E o beijou. Se beijaram. Um sentimento invadiu seu corpo, sentia como se o esperasse por muito tempo, de outras vidas, se você nisso acreditar. As mãos já não mais seguravam umas as outras, elas agora estavam entrelaçadas, como se significasse apenas uma coisa: não se deixariam jamais!
Tudo parecia tão perfeito... Ele queria levá-la a um lugar que lhe era especial, um lugar onde ele se sentia bem e queria que, a partir daquele momento, fosse um lugar especial para os dois. E assim foi.
"Pode fechar os olhos por um instante?Quero que seja surpresa.", disse ele.
Ela concordou. Afinal de contas, o que tem de mais em fechar os olhos para uma surpresa?
A surpresa não foi bem a que ela esperava. Ela ouviu um grito.
Ele a chamava desesperadamente, pedia ajuda, socorro. Atrás dela apenas uma casa e era de lá que vinham as súplicas. Pobrezinha... não conseguia abrir uma porta, uma janela que fosse. Não conseguia entrar, não pode ajudar.
E assim, tudo o que perfeito lhe parecia se esvaiu nas suas costas, atrás de seus olhos fechados que esperavam algo bom. Nada pode fazer, a não ser sair correndo, chorando, ainda sentindo que ele estava ali com ela, segurando sua mão.
"Que sonho estranho de se ter", pensou ela ao acordar. "Ainda mais quando não é a primeira vez que sonho. Ainda mais quando sinto um vazio ao acordar.".
Sonhos... desde sempre lhe causando a sensação real do que, pela primeira vez, é ter e perder.
(Thaís Moura)
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