sexta-feira, 29 de março de 2013

Apenas um desabafo

Algumas pessoas não fazem ideia de como é sofrer um preconceito. De como é ser desrespeitada ou virar piada simplesmente por seu tipo físico, por exemplo.
Sou negra e sou gorda (embora alguns digam que sou gordinha e outras digam que sou enorme) mas eu nunca sofri preconceito pela cor da minha pele, agora por ser gorda... eu sinto que sofro todos os dias. Olhares tortos, comentários que começam com "posso dizer algo, mas não me leve a mal?", "você tem um rosto bonito, porque não emagrece?".
As pessoas sabem ser cruéis quando querem e eu sei muito bem como isso funciona. Infelizmente não basta ser apenas inteligente, tem que ser magra ou cheinha (que na verdade nem é gordinha mas sim uma mulher com pernas grossas e quadril largo, mas para dizer que gostam de gordinhas, as classificam assim, como cheinhas).

Diferença entre chenhas e gordas? Tem. Mas isso não deveria fazer com que uma tenha mais vida que a outra, mais respeito, mais tudo. São pessoas como qualquer outras, eu sou uma pessoas como qualquer outra. Pelo menos deveria ser assim.
Eu sei o que são olhares preconceituosos, brincadeiras de mal gosto, risos e piadinhas sem graça alguma. Mas espera... elas tem graça sim. Tem graça para quem faz porque não sabe e não faz ideia do que é ser assim. Nunca vou entender esse nojo que as pessoas tem por pessoas como eu, nunca entenderei esse preconceito estúpido.
A cada dia que passa eu não me sinto sozinha, eu tenho certeza de que estou e sou sozinha.
Mundo idiota com pessoas mais idiotas ainda. 

Foto by Thaís Moura
"Ando devagar porque já tive pressa...".
Já tive tanta pressa, tanto querer, um desejar infinito 
que nem cabia em mim.
Perdi as contas de quantas vezes eu dormi querendo sentir um abraço,
um afago, um alguém ali, perto, próximo. 
Apenas sentir e nada mais.
Tenho a péssima mania de dormir me abraçando, 
ou como se fosse isso. É tão desconfortável , triste, 
meio irritante e algo inaceitável. 

Cansei de ficar imaginando o dia, mês, ano, a hora perfeita ou imperfeita
em que eu conheceria alguém, você. Passaram dias, meses, anos, e muitos anos, mas não veio nada, não veio ninguém.
Eu tinha tanta pressa em querer ser uma adolescente normal, com uma vida normal, fases normais. Como as minhas amigas tiveram. Porque eu não tive?
Eu tinha pressa de escrever um nome num caderno qualquer, encher de corações e ficar sonhando. Eu tinha pressa de ter um frio na barriga e pensar "ele está chegando". Uma pressa danada em esperar um telefonema, que nunca veio.

Hoje eu ando devagar, bem devagarinho... ou decidi parar de andar, pelo menos por esse caminho. 
Não tenho pressa de que alguém chegue, de pensar que exista alguém que está me procurando ou esperando que eu apareça em algum lugar.
Para que ter pressa por alguém que não vai te aceitar como é, que colocará um probleminha em cada lugar, que não te entenderá e nem respeitará?

Não vejo nenhum motivo para ter pressa, mesmo sabendo que a vida é curta.
Ninguém tem pressa quando já decidiu caminhar sozinho, quando já aceitou os fatos, quando pegou a solidão para dançar, rir e chorar. 

(Thaís Moura)