terça-feira, 29 de julho de 2014

Por você. Mas... e por mim?


Hoje me deparei com uma mensagem engraçada que fizeram utilizando a música Por Você, do Barão Vermelho. É! Essa mesmo em que a pessoa diz que, pela pessoa, ela faria um monte de coisa.
Fiquei pensando, e pensando (mesmo não sendo a pessoa de melhor indicação para pensar nesse assunto mas...) e indaguei: 
"E por si próprio, o que você faria?".
 
Para quem anda numa vibe de puro amor, paixão, vendo passarinho verde, chamando urubu de meu cheiroso, essa música é digna de não haver qualquer tipo de indagação. Ela é perfeita! É a pura demonstração de amor de um homem para uma mulher.  
Claro que, cada caso é um caso, cada um é cada um e a mudança e desafios propostos na letra podem ser resumidos em: "por você eu prometo melhorar, até mudo radicalmente, se preciso for" mas, fiquei a pensar "e por você, seu bobo? O que você faria por você?". (e isso também serve para as mulheres).

Será que a pessoa teria a mesma disposição para fazer algumas coisas se fosse apenas por ela própria? Já li em algum site da vida que, pessoas apaixonadas tendem a ficar mais interessadas e dispostas a fazerem algo, porque contam com um incentivo que, no caso, é a pessoa amada e o sentimento que ambos nutrem. 
Mas, depois de tanto martelarem na minha cabeça que eu deveria fazer as coisas por mim e pensando em mim, não entra na minha cabeça fazer algo do tipo "ter mais herdeiros que um coelho" apenas para agradar "você", principalmente porque a parideira é sempre, sem sombra de qualquer dúvida, uma mulher. (Quem escreveu essa letra é homem mesmo. Transar feito um coelho todo mundo gosta, parir, meu querido, é com a mulher ok! Fácil ter herdeiros quando não é o grávido da história).
Impossível para mim (e para qualquer pessoa com o parafuso no seu devido lugar) tomar "banho gelado no inverno" apenas "por você"! Eu nunca "dançaria tango no teto" porque, pelas leis da gravidade, isso é impossível. Não teria como fazer nem por mim. E mesmo sendo possível, não faria.

Meus exemplos foram de acordo com a letra da música e simplesmente querem dizer um "Eu não faria NADA que fosse apenas por você!!!".

Posso nunca ter amado, nem ter sido amada mas, não precisa ser muito inteligente (ou talvez precise...) para saber que amor, romantismo, paixonite enjoada, é via de mão dupla, é dar e receber (e se você acredita que tudo isso é doação, pergunto: se ele (a) não te "doasse" amor, vocês estariam juntos?)! Ninguém fica com outra pessoa sem que a mesma não saiba que está numa relação com alguém, ou seja, ninguém tem um relacionamento amoroso sozinho (esqueça o platônico!). 
Amor a dois é ambos se respeitarem como indivíduos, alimentarem suas qualidades e tentarem da melhor maneira possível conviver com seus defeitos. Mudanças acontecem gradativamente e não pode ser feitas apenas para alguém, porque alguém pediu ou porque alguém quer.
 
Se você ouve essa música dando suspiros e acha o supra sumo da declaração de amor, pergunte-se: "Eu faria por mim o que eu fiz por você?".


(Thaís Moura)



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Pequenas coisas, médios incômodos, grandes reflexões.

 






Segundo Meera Nagananda (professora de meditação): 


"Pessoas preenchidas são pessoas contentes. 
Contentamento não é ter tudo o que se quer mas, 
estar satisfeito com o que se tem e com o que se é".

Fiquei pensando nesse trecho do texto (todo ele postarei depois) e fiquei pensando que, em parte, faz todo sentido. Pessoas contentes com o que tem, em como são, podem sim se sentirem preenchidas. 
Só fico incomodada com uma coisinha: porque parece que, implicitamente, dá a entender que, não se pode deixar de ser contente por não ter o que se quer? Vou tentar explicar rs.
Algumas pessoas adoram a frase "pessoas felizes não enchem o saco" mas, parece que nunca querem saber o que faz uma pessoa encher o saco por ser/estar infeliz. Nunca param para pensar que, cada pessoa é um ser diferente e reage de forma diferente para as mais variadas coisas da vida. 
Eu, por exemplo, sou uma dessas pessoas. Embora eu seja infeliz mas, não encho o saco de ninguém rs! 
Muitas pessoas que antes me diziam para não dar tanta ou nenhum importância àquilo que me fazia falta hoje se dizem completas por terem o que eu queria. Então, pela minha linha de raciocínio, elas também sentiam falta mas, por eu abrir o jogo era chato e elas manterem em segredo era chique? 
A questão não é ter os que os outros tem. A questão é querer o que sempre nos foi condicionado a crer que é normal ter. Se não é necessário, porque ter? Não faz falta, porque não joga fora?
Não estou condenando, apontando, nem nada do tipo. Só tenho a mania de me colocar no meu lugar e lugar de tantas outras pessoas que, preenchidas ou não, contentes ou não, só querem um pouco de entendimento sobre aquilo que andam sentindo. Pessoas essas que só querem que entendam que, nem tudo é facilmente praticável e nem tudo é lindo de se ver. 
Cada pessoa tem seu tempo de chegar, ficar e passar pelas fases que a vida impõe e cada pessoa tem o direito de se sentir satisfeita ou achar que ainda lhe falta algo.
Não tenho muita certeza mas, parece que já li em algum lugar algo do tipo "se não me falta mais nada, se satisfeita estou com tudo, o que me resta fazer?". 
Aos plenamente satisfeitos, nem resta um. Resta nada. 

Thaís Moura

 O texto base na íntegra:

"Pessoas preenchidas são pessoas contentes. 
Mesmo que alguém crie uma situação de descontentamento diante delas, pessoas contentes demonstrarão seu contentamento ao cooperar com aqueles que tentam torná-las descontentes. Contentamento não é ter tudo que se quer, mas estar satisfeito com o que se tem e o que se é. 
Pessoas contentes tem o sentimento de abundância mesmo sem ter muito, porque elas apreciam o que tem. Por outro lado, aqueles que não apreciam o que tem e o que são, estão sempre insatisfeitos porque se comparam com outros. Satisfação é estar preenchido. 
Quando se está preenchido, os olhos não são guiados pelo que os outros têm." 
Meera Nagananda
 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Sobre o jogo



Futebolisticamente falando, hoje foi um dia para lembrar. 
Um placar elasticamente vergonhoso nos termos que regem o futebol. 

De um lado uma equipe que, em Salvador, se sentiu mais em casa do que nunca, ficaram maravilhados com as belezas que viram nos lugares onde ficavam antes dos jogos, que fizeram um vídeo para mostrar os melhores momentos deles no Brasil e que são donos de um futebol absurdamente disciplinado e tático funcional até os dentes.

Do outro lado, uma seleção Penta Campeã Mundial, com, teoricamente, mais de 200 milhões de torcedores fazendo as honras e sendo o "camisa 12", com estádios lotados cantando o Hino Nacional à capela, com jogadores de emoções à flor da pele, com o um dos melhores jogadores do mundo na atualidade, com um futebol absurdamente fraco, aparentemente sem esquema tático, decepcionante de fazer perder os dentes!

Futebol, desde que me entendo por gente, desperta emoções inexplicáveis, como choro, raiva em excesso, tristeza, alegria, gozações, e acreditem, desperta até conversa séria sobre o futebol (adoro essa parte!).
Para aqueles que gostam de futebol, independente de time, seleção, apenas pelo futebol, hoje ficou claro que a seleção brasileira não tinha e nunca teve uma equipe capaz de disputar a Copa do Mundo com condições de chegar numa final e claro, ganhar o título. 
Que seleção é essa onde num acidente de percurso, se viu um tanto quanto deslocada com a saída forçada de seu "principal jogador"? 
Que mídia é essa que, num dia dão apoio e dizem "temos condições de classificação" mas, é só perder que dizem "marquem outra partida com Neymar e Thiago Silva em campo e veja que não tomaremos tantos gols", "o vilão é o Fred!"?
Que "patriota" é esse que cantou o Hino mas, vaiou os seus jogadores 
ao final do jogo e aplaudiu apenas os alemães? 
(não que eles não sejam dignos de aplausos).
Que revoltado com a Copa é esse que, meses antes fazia protestos contra a mesma e no dia 12 de junho contra a Croácia comemorou o não pênalti em Fred?
Que pessoas são essas que não entendem que, quando dizem "a maior vergonha do Brasil..." diz respeito à seleção brasileira de futebol e não sobre o Brasil como país? 
(como país, essa derrota nem é vergonha, temos vergonhas maiores...).
Que pseudo entendido e do contra foi esse que brigou e gritou "não vai tem Copa" mas, não quer nem estudar a possibilidade de escolher um candidato que lhe pareça descente para votar, preferindo "anular essa porra toda e foda-se" e ainda continua furando fila (que, caso não saiba, também é feio!)?

Desculpe se o meu modo de ver a Copa difere do seu. Gastos existiram mas, poderiam ter protestado antes. Protestar com tudo pronto, vocês que foram para rua, não me convenceram nem um pouquinho! 

Se essa Copa deixou um legado esse legado não foram os estádios, 
nem a educação dos japoneses, muito menos a quebra do estigma de que o povo alemão é frio. Se deixou algum legado foi o de que, com ou sem Copa, alguns de nós, povo brasileiro, não sabemos perder. Que muitos de nós colocamos a culpa em todos menos em nós mesmos. Que futebol é apenas um modo de diversão sadia e bem pensada para alguns, de trabalho (para quem vive dele) e distração. E que infelizmente, mesmo que não tivesse Copa, tudo estaria como está... Não investiriam esse dinheiro em outra coisa, fato lamentável e qualquer leigo sabe disso. 

Eu comecei dizendo "hoje foi um dia para lembrar". Lembrar que:

- Em se tratando de esportes, ninguém é invencível e ninguém é incapaz;
- Oportunidades cada um tem a sua e aproveita quem quer;
- "Pimenta nos olhos dos outros é refresco". Nos seus olhos, queima, né!?;
- Respeito todo mundo gosta, todo mundo quer. Então, vamos praticar?;
- Humildade poucos tem;
- Educação vem de casa;
- Seleção brasileira, foi bom enquanto durou.

Que em 2018 (Copa na Rússia) e antes (Eliminatórias e outros), 
tenhamos mais "dependemos de todos" (equipe) 
e menos "dependemos dele" (suposto time de um jogador só).

(Apenas analisando esse jogo de um ponto de vista diferente...)


Thaís Moura