O meu aqui dentro anda mais estranho
do que o de costume.
Não sinto a leveza de antes,
a calma, o gostar das coisas.
Não sinto tanto aquela menina mulher
que muitos comentavam,
aquela pessoa com sorriso cativante
que todos acham bonito.
Me pergunto às vezes "o que fiz comigo?".
A resposta, na maioria das vezes, é clara.
Outras vezes eu juro, não consigo resposta,
ou não consigo entender o porque de ser assim,
de ter ficado assim.
Melancolia.
Creio que posso ser definida assim.
Uma sensação de estar caindo
e nunca parar de cair.
Queda livre mas sem parada,
sem um chão final.
Tem horas em que até suspirar dói,
respirar fundo incomoda.
O vazio incomoda.
Difícil se sentir um quebra cabeça
onde peças faltam,
onde a figura é complicada,
onde poucos conseguem enxergar
o que realmente sou.
A armadura é pesada, é enorme, imensa.
Fico aqui dentro, cruzando os dedos
para que apareça quem faça uma leitura correta
do que tenho dentro dela.
(Thaís Moura)

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