domingo, 2 de junho de 2013

Pedido de não desculpa

Me desculpe por não ser 
quem você esperou que eu fosse.
Comecei dizendo "me desculpe" 
por falta de palavra mais adequada.
Não peço desculpas por ser quem sou, 
como sou ou no caso, como não sou.
Imagino o que esteja pensando, 
ou quem sabe o que esteja sentindo.
Talvez eu não seja tão corajosa 
como a outra pessoa 
com quem está conversando agora mas, 
não sou obrigada a ser igual a ela.
Tudo o que eu gostaria 
era sentir respeito exalando de ti, 
não senti e desculpe 
mas isso foi o que senti, de verdade. 
Gostaria de ter o meu tempo respeitado, 
de ter ouvido a verdade, 
de saber realmente quanto tempo 
estava disposto a "perder" 
para realmente me conhecer, ver como piso, 
por onde costumo andar.

Não parece, mas sou uma pessoa disposta, 
desde que eu sinta a mesma disposição vinda do lado de lá. 
Não sou feita de "de vez em quando", sou feita de hoje, 
amanhã, explicações, entendimentos, respeito e também silêncio. 
Meu silêncio é o fator X, só eu mesmo entendo o motivo de ficar calada.
Se não entende, bom... quem disse que tudo o que eu faço é algo com explicação clara? Sou meio turva, quase escura. 
Poucos me veem, raros me sentem andando ou vagando, 
contados nos dedos de uma das mãos
são os que captam algo em fração de segundos. 

Não quero que me desculpe por ser quem e como sou. 
Quero que se desculpe por desenhar uma ideia 
que nem longe ganharia vida. 
Bom ou ruim, essa é a realidade, confusa sou eu. 

(Thaís Moura)

sábado, 1 de junho de 2013

Reencontro

Talvez você já tenha estado nessa situação: você conhece alguém, tem uma conversa legal, breve, rápida, mas legal. Nem você e nem a outra pessoa perguntam os nomes, fica no "como esquentou hoje!", "você gosta do inverno também?", "nossa, sou parecido com você." e outras coisinhas mais. 
Para o Paulo, que provavelmente nunca saberá o que fez s2
 Trinta minutos, ou até menos, e é o suficiente para que algo mude dentro da gente. Uma pessoa comum, que se   aproxima de outra pessoa comum e não faz questão de que você seja perfeito (aquele perfeito que alguns insistem em ser ou impor como o correto a seguir, a ser).

Uma pessoa linda. Linda para os seus olhos, com encaixe em todos os itens que tem naquela sua listinha secreta, aquela dentro de você, que só você sabe como é.
Uma pessoa que, se não fosse a consulta, a fila, a prova, mesmo lugar e salas diferentes, valeria a pena "perder a hora" conversando, valeria a pena saber mais e mais, sempre, a todo instante.
"Será que ou vê-lo novamente?", "poxa... espero que ela também tenha outra consulta mês que vem.", "tomara que aquela transferência comentada não tenha acontecido"... sim, a esperança ou desejo de ver novamente!
E quando ela se concretiza é uma maravilha que só. 
Sorrisos, alegria, leveza...

Por um breve momento aquela sua espera é recompensada e não importa se você não ficará com o "prêmio". A sensação do "aconteceu, reencontrei, me reconheceu" é tão boa, é satisfatória.  Pode ser que alguns pensem: 
"nossa... se contentar com pouco?". 
Bem... a vida é feita de momentos, pisando degrau por degrau e sem pular nenhum deles. É feita de escolha e separações. Separações do que você acha ter valor ou não, seja breve, longo, muito ou pouco. A vida é ter altos e baixos, se permitir chorar, sofrer, gritar, se irritar, ter momentos de melhora,  querer melhorar, sorrir, gargalhar, rir por dentro... pra si.
Não acho pouco se te faz bem. Não acho pouco se te deixa feliz.

(Thaís Moura)
 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Quase inexistente

Foto by Thaís Moura
 
Uma flor no chão.
Que ninguém repara
Que ninguém vê
Que não tem tanta importância.

Aquela flor caída.
Que não tem valor
Que um ou outro percebe
Que faz, vez ou outra, alguém pensar.

Florzinha simples.
Que tem sua beleza ignorada
Que tem a sua significância destruida
Que, de  forte, não tem nada.

Flor totalmente fora do lugar.
Que não sabe porque caiu de lá
Que não sabe o que faz ali
Que não sabe aonde vai ficar.

Florzinha leve.
Que espera que o vento lhe carregue
Que seja soprada para bem longe
Que de tão longe sua essência descanse.

(Thaís Moura)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Um dia



Que um dia eu possa olhar para tras e não ver nada,
que eu veja a diante e não sinta o que sinto,
que eu deseje sem ter receio,
que eu queira sem ter medo.

Que um dia eu ame, sendo amada por quem amo
que eu respeite, porque me respeita,
que eu me respeite, porque eu venho primeiro,
que eu encontre, não necessariamente você.

Que um dia eu queira, seja quem for,
que um dia eu ame, inclusive você.
Que um dia eu volte a ser eu, como um dia fui,
que um dia eu possa viver, como eu quiser.

(Thaís Moura)

Apenas refletindo...


"É muito melhor arriscar coisas grandiosas, 
alcançar triunfos e glórias, 
mesmo expondo-se a derrota, do que 
formar fila com os pobres de espírito 
que nem gozam muito e nem sofrem muito, 
porque vivem nessa penumbra cinzenta 
que não conhece vitória nem derrota." 
by Theodore Roosevelt



 Muito melhor mesmo é ser eu mesma, você ser você.
Ser alguém que não vê problema nenhum em sofrer
e admitir que sofre.
Muito melhor mesmo é não seguir o conselho, ora furado,
de alguém que, no momento, está feliz e nem sabe
como você está.
Engolir isso para que? Um placebo que deve funcionar 
para alguns crédulos de que Papai Noel existe.
A penumbra pode ser cinzenta, mas é a minha penumbra,
minha vida, minha realidade. 
Quem foi que disse que não conheço a derrota?
Com que certeza diz que "é melhor arriscar do que formar
fila com os pobres"?.
Os pobres de espírito... Ah, os chamados pobres de espírito...
Sofrer agora é ser pobre de espírito?
Quem sofre deve ter mais espírito do que os que se acham ricos dele.
Mil vezes me apoiar nos pobres do que engolir conselhos
dos supostamente ricos. Ricos de que? Ah sim... ricos da SUA verdade,
que respeito, mas não queira fazer dela a minha.

(Thaís Moura)          
 

sábado, 20 de abril de 2013

Imaginando ser feliz



De uns dias pra cá eu ando pensando. Pensando ou fantasiando? 
Enfim... ando imaginando 
(acho que ficou melhor).
Imaginando em como seria se aquele dia tivesse sido diferente. 
O que aconteceria se eu tivesse perguntado?
A sua resposta seria a que eu fantasio 
(agora é fantasiar mesmo!)?
Já conheço o rosto, mas tive que dar um nome, 
e acho que fui bem nessa escolha.
Tem horas em que forço a mente 
para poder lembrar dos detalhes, 
da voz,  dos gestos, de tudo.
Queria ter umas lembranças mais claras, 
menos escuras ou turvas. 
Queria ter lembranças mais doces, mais picantes, 
mais leves, mais sérias... concretas! Lembrança concreta? 
Se eu for me lembrar do bom e velho Português
e seus substantivos comuns e abstratos, 
eu acho que errei um pouco, né. 
Mas quem costuma ler sentindo 
vai entender o que eu quis dizer, o que sinto. 

Queria ter uma lembrança onde de fato as coisas aconteceram, 
não queria mais ter que ficar inventando algo 
para me iludir e fingir que aconteceu. 
Essa coisa de Cazuza e seu adorar um amor inventado,
me desculpe, para mim não dá. 
Posso estar até pegando essa parte fora do contexto, 
mas ela sozinha significa o obvio.
Acho que me perdi um pouco nos meus pensamentos, 
ninguém entenderá nada, 
mas não tem problema, eu só queria dizer...

Ainda continuo pensando. Pensando se verei, 
se vou reencontrar, 
se terei, se nada terei que inventar 
ou se apenas será mais um capítulo 
dessa história de pré vida que tenho. 

Esses dias eu tenho permitido me iludir, 
tenho permitido viver de fantasias.
Não sei porque me permiti algo do tipo! 
Talvez pelo fato de ter dias em que, para sentir um  carinho, 
tenho que criar todo roteiro do carinho pretendido, 
do carinho desejado. 
As vezes é necessário acarinhar a imaginação.

(Thaís Moura)

quinta-feira, 11 de abril de 2013




Só gostaria que entendessem: 
eu gosto de ficar calada, gosto de ficar sozinha.
Já me acostumei com esses períodos de silêncio e plena solidão. 
Tem coisas que não deveriam ser, mas são. 
Algumas coisas acontecem 
quando não deveriam acontecer, 
enquanto outras, bem, 
não acontecem, nada acontece. 
Só quero aproveitar esse nada 
para tentar descansar meu corpo, minha mente... 
tentar organizar o que aqui dentro está 
uma verdadeira bagunça, 
uma espécie de mar revolto.


Eu não seria boa companhia a ninguém 
e não quero que alguém 
sinta a obrigação de me fazer companhia, 
cada um sabe daquilo que se deve ou não fazer.
Só quero ficar com minha mente tranquila. 
Não quero pensar em nada, em coisa alguma. 
Apenas quero tentar encontrar 
uma tranquilidade e equilíbrio 
que antes eu possuía, mas agora não possuo mais. 

(Thaís Moura)