sábado, 31 de março de 2012

Insuportável


Essa dor que dilacera, 
me faz sofrer, 
parece até que mata.
Mata aos poucos, 
da raiz até o topo.
Rasga o peito e enche os olhos, 
lágrimas.
Sufoca, me sufoca. 
Fica preso, sem ter para onde ir.
Não consigo falar, 
não tenho para quem falar.
Não tenho para quem expor 
porque não há quem mereça.

Queria ser levada 
para bem longe daqui,
meio que abduzida, 
ficar desaparecida.
Não sentiriam minha ausência, 
bem sei.
Que falta faria 
no presente de alguém?

Sentindo perder o chão,
o pouco controle que tinha.
Mas agora não quero saber,
deixo a pose lado.
Quero exercer 
o meu direito de sofrer.

(Thaís Moura)


Já perdi a conta de quantas vezes 
eu esperei você chegar,
entrar por esse porta e confirmar se, 
o que eu vi, foi mesmo o que vi.
Se eu não fantasiei 
ou aumentei demais os sinais,
se você realmente existe.

São coisas de quem precisa 
de umas cem confirmações
antes de crer que algo pode 
realmente acontecer na vida,
na vida dela, na vida minha.

É estranho alguém chegar 
e agir tão naturalmente
eu fico pasma... eu duvido!
Por onde você anda 
que não esteve aqui novamente?
Fugiu dos meus olhos.

Queria poder ver de novo 
para realmente crer.
Um simples desejo para hoje?
Voltar a ver você.

(Thaís Moura)


segunda-feira, 26 de março de 2012



Estranho estarmos todos aqui, 
por inteiro, prontos,
livres de amarras, puros, 
vazios de sentimentos torpes,
de corpo a alma à espera de alguém 
que nos veja prontos
mas, por incrível que pareça, 
esse alguém não vem.
Pior ainda é nos sentirmos prontos 
e não confiar no que vemos,
principalmente depois de termos passado 
por poucas e boas (ou ruins).
A gente meio que fantasia o amor romântico 
de tal forma que ele parece perfeito.

Será mesmo que basta apenas querer, 
decidir e tudo vem, tudo vai?
Amor deveria ser amor e pronto. 
Ou como já disse uma vez,
deveríamos ser cegos, amar o que se sente, 
o que a pessoa é por dentro,
nem ligaríamos para rosto bonito, 
corpo, sorriso metálico, 
torto ou sem nada...
Amar deveria vir de dentro para fora, 
mas ultimamente anda fazendo um caminho inverso.


Amor não te leva para todo lugar, 
o nome disso é milhas aéras, amor é outra coisa...
(Thaís Moura)

quarta-feira, 21 de março de 2012

"Dê uma chance àquilo que te faz bem" (?)


"Dê uma chance àquilo que te faz bem".(?)
E se o que te faz mal é justamente 
o que deveria te fazer bem?
Pedem para que você não desista das coisas boas, 
das coisas alegres, felizes, importantes... 
coisas da vida, da vida, de viver.
E se na sua vida não tem isso, 
do que mesmo você estaria abrindo mão?
De chances intermináveis e não pontuantes? 
Talvez só estaria aumentando mais um ponto ao seu placar de 
"Ehh coisa booaa  x PQP, que saco!"?
Alguns tem esperança, palmas para quem tem, 
palmas, não inveja.
Não acontece com todos, claro que não, 
mas sim, coisas tidas como boas nem sempre fazem bem.

(Thaís Moura)

terça-feira, 20 de março de 2012

A gente se encolhe

Qualquer palavra dita, 
ouvida, lida... e a gente se encolhe.
Encolhe num cantinho só nosso, 
para pensar, refletir,
ver, rever porque incomoda, 
rever o que incomoda.

Ser sensível demais nesses novos tempos 
em que sensibilidade não é nada demais, 
deixa a gente tão fraquinho...
Dó dos meus sentimentos 
quando bate aquele sentimento de
"não adianta, o tempo corre, 
você não pode ficar parada
esperando que algo aconteça".

Mas se fazemos algo e nada acontece, 
a culpa, se é que tem culpa, é de quem? 
Eu nem fiquei parada!

Vontade de me encolher,
 recolher-me num canto qualquer,
ficar ali esquecida, de vez, 
permanente, encolher-me como quem quer 
voltar ao primeiro estado da vida, 
posição fetal, revirada, voltada para si, 
intocável, frágil, protegida.

Qualquer palavra dita, lida, ouvida, 
pensada... e a gente se encolhe...

(Thaís Moura)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Marcas




Um dia, não sei quando, nem sei se nesta vida,
irei te deixar marcas, as minhas marcas.
Marcas profundas, com sentimentos profundos,
marcas sinceras, fortes, únicas.

Irei fazer você sentir que perdeu o rumo, a estrada,
o que te fazia ir e que agora te faz ficar.
Marcarei a ferro e fogo, de sentimentos,
de amor, de carinho, de sinceridades, 
de doçura e, porque não, até mesmo de luxúria.

Marcar de forma em que você se torne eu,
eu me torne você, e enfim, seremos nós.
Marcar feito tatuagem, sem possibilidade de retirada.
Chegar, marcar, ficar... e nunca sair, nunca se apagar.

(Thaís Moura)

sexta-feira, 16 de março de 2012


O que nos faz ter tanta certeza de que alguém é dono de nossos sentimentos?
Porque depositar nessa pessoa algo tão frágil e importante?
Será mesmo que essa pessoa é tão merecedora assim?

Talvez seja eu a desconfiada, desculpe, 
não acredito mais, em um monte de coisas.
Creio que ando dando tanto valor aos meus sentimentos que penso: 
"Oras... essa pessoa é merecedora? Não parece..".
Ok, ok... vão dizer que merecemos e devemos nos dar uma segunda chance,
concordo. Mas demorei tanto a enxergar os meus valores, 
porque eu deveria por nas mãos de alguém?
Virei uma egoísta, ando me importando comigo,
com o que eu sinto e "desinto", sabendo analisar quem merece a minha confiança.
Vontade existe, mas nada que supere a minha vontade
de estar tranquila,
nada  que abale nenhuma estrutura de forma leviana.

Posso deixar muitas pessoas passarem, 
mas o que for verdadeiro, fica,
sem esforço, sem nada. 
Simplesmente ficará.

(Thaís Moura)