segunda-feira, 26 de março de 2012



Estranho estarmos todos aqui, 
por inteiro, prontos,
livres de amarras, puros, 
vazios de sentimentos torpes,
de corpo a alma à espera de alguém 
que nos veja prontos
mas, por incrível que pareça, 
esse alguém não vem.
Pior ainda é nos sentirmos prontos 
e não confiar no que vemos,
principalmente depois de termos passado 
por poucas e boas (ou ruins).
A gente meio que fantasia o amor romântico 
de tal forma que ele parece perfeito.

Será mesmo que basta apenas querer, 
decidir e tudo vem, tudo vai?
Amor deveria ser amor e pronto. 
Ou como já disse uma vez,
deveríamos ser cegos, amar o que se sente, 
o que a pessoa é por dentro,
nem ligaríamos para rosto bonito, 
corpo, sorriso metálico, 
torto ou sem nada...
Amar deveria vir de dentro para fora, 
mas ultimamente anda fazendo um caminho inverso.


Amor não te leva para todo lugar, 
o nome disso é milhas aéras, amor é outra coisa...
(Thaís Moura)

quarta-feira, 21 de março de 2012

"Dê uma chance àquilo que te faz bem" (?)


"Dê uma chance àquilo que te faz bem".(?)
E se o que te faz mal é justamente 
o que deveria te fazer bem?
Pedem para que você não desista das coisas boas, 
das coisas alegres, felizes, importantes... 
coisas da vida, da vida, de viver.
E se na sua vida não tem isso, 
do que mesmo você estaria abrindo mão?
De chances intermináveis e não pontuantes? 
Talvez só estaria aumentando mais um ponto ao seu placar de 
"Ehh coisa booaa  x PQP, que saco!"?
Alguns tem esperança, palmas para quem tem, 
palmas, não inveja.
Não acontece com todos, claro que não, 
mas sim, coisas tidas como boas nem sempre fazem bem.

(Thaís Moura)

terça-feira, 20 de março de 2012

A gente se encolhe

Qualquer palavra dita, 
ouvida, lida... e a gente se encolhe.
Encolhe num cantinho só nosso, 
para pensar, refletir,
ver, rever porque incomoda, 
rever o que incomoda.

Ser sensível demais nesses novos tempos 
em que sensibilidade não é nada demais, 
deixa a gente tão fraquinho...
Dó dos meus sentimentos 
quando bate aquele sentimento de
"não adianta, o tempo corre, 
você não pode ficar parada
esperando que algo aconteça".

Mas se fazemos algo e nada acontece, 
a culpa, se é que tem culpa, é de quem? 
Eu nem fiquei parada!

Vontade de me encolher,
 recolher-me num canto qualquer,
ficar ali esquecida, de vez, 
permanente, encolher-me como quem quer 
voltar ao primeiro estado da vida, 
posição fetal, revirada, voltada para si, 
intocável, frágil, protegida.

Qualquer palavra dita, lida, ouvida, 
pensada... e a gente se encolhe...

(Thaís Moura)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Marcas




Um dia, não sei quando, nem sei se nesta vida,
irei te deixar marcas, as minhas marcas.
Marcas profundas, com sentimentos profundos,
marcas sinceras, fortes, únicas.

Irei fazer você sentir que perdeu o rumo, a estrada,
o que te fazia ir e que agora te faz ficar.
Marcarei a ferro e fogo, de sentimentos,
de amor, de carinho, de sinceridades, 
de doçura e, porque não, até mesmo de luxúria.

Marcar de forma em que você se torne eu,
eu me torne você, e enfim, seremos nós.
Marcar feito tatuagem, sem possibilidade de retirada.
Chegar, marcar, ficar... e nunca sair, nunca se apagar.

(Thaís Moura)

sexta-feira, 16 de março de 2012


O que nos faz ter tanta certeza de que alguém é dono de nossos sentimentos?
Porque depositar nessa pessoa algo tão frágil e importante?
Será mesmo que essa pessoa é tão merecedora assim?

Talvez seja eu a desconfiada, desculpe, 
não acredito mais, em um monte de coisas.
Creio que ando dando tanto valor aos meus sentimentos que penso: 
"Oras... essa pessoa é merecedora? Não parece..".
Ok, ok... vão dizer que merecemos e devemos nos dar uma segunda chance,
concordo. Mas demorei tanto a enxergar os meus valores, 
porque eu deveria por nas mãos de alguém?
Virei uma egoísta, ando me importando comigo,
com o que eu sinto e "desinto", sabendo analisar quem merece a minha confiança.
Vontade existe, mas nada que supere a minha vontade
de estar tranquila,
nada  que abale nenhuma estrutura de forma leviana.

Posso deixar muitas pessoas passarem, 
mas o que for verdadeiro, fica,
sem esforço, sem nada. 
Simplesmente ficará.

(Thaís Moura)


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012


Entra ano, sai ano. 
Entra gerações e saem outras gerações, a questão é a mesma:
Buscar/encontrar o príncipe, a princesa perfeita dos contos de fada 
que vive a suspirar, esperando que o seu príncipe a tire 
da mais alta masmorra e a torne feliz para sempre.
Se ela espera um príncipe, porque vive a beijar um sapo? 
Pode ser, como responderam , porque eles, os príncipes, 
fugiram com as bruxas.
Talvez porque sapos existem, qualquer chuvinha que cai nesse verão 
 eles logo aparecem, ali no seu quintal ou na rua mesmo.

Será que existem princesas? Bom... depende. 
Princesas existem até o exato momento 
em que descobre algum defeito que elas têm, 
depois disso, viram bruxas. Inevitável.
Ninguém, e esse ninguém me refiro aos homens, 
não estão tão dispostos a encarar de frente um defeito vindo 
de sua mais bela e perfeita princesa. 
Poxa! Porque estragar tamanha perfeição?
Perfeição? 
Perfeição que só existe nos olhos apaixonados de quem vê, 
de quem vive tal fase. 
Perfeição verdadeira existe nos olhos de quem realmente ama com vontade, sabendo e enxergando a verdade 
contida na alma daquela pessoa, do ser amado. 
Agora, livre de qualquer problema alucinógeno causado pela paixão 
é quando eu, você, nós nos gostamos do jeito que somos, quando assumimos nossos gostos mesmo que sejam estranhos aos olhos alheios. 
Paixão cega, amor devolve a visão e nos assumir 
tal qual somos nem nos deixa míopes.

Copiando a Lígia Sabino Guedes: 
"Talvez por achar que princesa é sempre princesa 
é que a gente acaba se desapontando."
Porém, como ela mesma citou logo depois:
"Ser princesa ou não é questão de ângulo".

Com certeza! 
O que não vale é por num pedestal quem, com certeza, tem defeitos até as tampas.
O que custa assumir que sua princesa tem falhas como qualquer mortal?
A não ser que ela seja mais uma nova criação do Walt Disney,
ela é uma mortal! 

(Thaís Moura)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012


Às vezes cansa tanto fingir que se é feliz, que se é "normal" como todo mundo,
que mais cedo ou mais tarde, vai acontecer algo de bom.
Cansa muito querer ser uma atriz principal e só ter papel para coadjuvante,
encenar somente o que não se quer, o que nunca quis, nunca desejou.

Dói na alma sentir que o tempo passa e nada se pode fazer, nada muda, nada acontece... dói mais ainda ter de ouvir as pessoas dizendo que devo fazer "isto" ou "aquilo", mas não sabem o que faço/fiz para que algo ou tudo mude.

Cansa viver num mundo, num lugar, onde tudo acontece de acordo com o que você é... por fora! Onde você se sente estranha por ser correta, onde o premiado é o errado.
Cansa chorar a noite, se fazendo a clássica pergunta "porque?" e a resposta não vem... e nem virá.

Ultimamente anda cansando sorrir por tudo, chorar pelo nada. Por não se ter nada.
(Thaís Moura)