sexta-feira, 29 de março de 2013


Foto by Thaís Moura
"Ando devagar porque já tive pressa...".
Já tive tanta pressa, tanto querer, um desejar infinito 
que nem cabia em mim.
Perdi as contas de quantas vezes eu dormi querendo sentir um abraço,
um afago, um alguém ali, perto, próximo. 
Apenas sentir e nada mais.
Tenho a péssima mania de dormir me abraçando, 
ou como se fosse isso. É tão desconfortável , triste, 
meio irritante e algo inaceitável. 

Cansei de ficar imaginando o dia, mês, ano, a hora perfeita ou imperfeita
em que eu conheceria alguém, você. Passaram dias, meses, anos, e muitos anos, mas não veio nada, não veio ninguém.
Eu tinha tanta pressa em querer ser uma adolescente normal, com uma vida normal, fases normais. Como as minhas amigas tiveram. Porque eu não tive?
Eu tinha pressa de escrever um nome num caderno qualquer, encher de corações e ficar sonhando. Eu tinha pressa de ter um frio na barriga e pensar "ele está chegando". Uma pressa danada em esperar um telefonema, que nunca veio.

Hoje eu ando devagar, bem devagarinho... ou decidi parar de andar, pelo menos por esse caminho. 
Não tenho pressa de que alguém chegue, de pensar que exista alguém que está me procurando ou esperando que eu apareça em algum lugar.
Para que ter pressa por alguém que não vai te aceitar como é, que colocará um probleminha em cada lugar, que não te entenderá e nem respeitará?

Não vejo nenhum motivo para ter pressa, mesmo sabendo que a vida é curta.
Ninguém tem pressa quando já decidiu caminhar sozinho, quando já aceitou os fatos, quando pegou a solidão para dançar, rir e chorar. 

(Thaís Moura)  
   
   
 

Um comentário:

  1. "Ninguém tem pressa quando já decidiu caminhar sozinha"... é, essa frase deu texto mesmo!
    Lindo escrito, Thatá... tantas verdades..

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