De uns dias pra cá eu ando pensando. Pensando ou fantasiando?
Enfim... ando imaginando
(acho que ficou melhor).
Imaginando em como seria se aquele dia tivesse sido diferente.
O que aconteceria se eu tivesse perguntado?
A sua resposta seria a que eu fantasio
(agora é fantasiar mesmo!)?
Já conheço o rosto, mas tive que dar um nome,
e acho que fui bem nessa escolha.
Tem horas em que forço a mente
para poder lembrar dos detalhes,
da voz, dos gestos, de tudo.
Queria ter umas lembranças mais claras,
menos escuras ou turvas.
Queria ter lembranças mais doces, mais picantes,
mais leves, mais sérias... concretas! Lembrança concreta?
Se eu for me lembrar do bom e velho Português
e seus substantivos comuns e abstratos,
eu acho que errei um pouco, né.
Mas quem costuma ler sentindo
vai entender o que eu quis dizer, o que sinto.
Queria ter uma lembrança onde de fato as coisas aconteceram,
não queria mais ter que ficar inventando algo
para me iludir e fingir que aconteceu.
Essa coisa de Cazuza e seu adorar um amor inventado,
me desculpe, para mim não dá.
Posso estar até pegando essa parte fora do contexto,
mas ela sozinha significa o obvio.
Acho que me perdi um pouco nos meus pensamentos,
ninguém entenderá nada,
mas não tem problema, eu só queria dizer...
Ainda continuo pensando. Pensando se verei,
se vou reencontrar,
se terei, se nada terei que inventar
ou se apenas será mais um capítulo
dessa história de pré vida que tenho.
Esses dias eu tenho permitido me iludir,
tenho permitido viver de fantasias.
Não sei porque me permiti algo do tipo!
Talvez pelo fato de ter dias em que, para sentir um carinho,
tenho que criar todo roteiro do carinho pretendido,
do carinho desejado.
As vezes é necessário acarinhar a imaginação.
(Thaís Moura)