domingo, 9 de março de 2014

Esperar


Esperar que o outro enxergue em você 
todo amor que você tem
é um exercício de paciência, 
é esperar que o outro seja tão sensível quanto você.

É esperar que, na maioria das vezes,
o outro seja o que não é,
que tenha o que não tem.

É esperar que o outro de repente diga:
"hum... estou vendo demais ou...".
Mas, também é esperar pelo lógico,
que o outro nunca diga absolutamente nada.

Esperar que o outro enxergue seus sentimentos
é como plantar um ipê, sentar e esperar pelo crescimento.
Processo longo e demorado, ou seja, vai cansar.

Pode ser que seja diferente!
Pode ser que você tenha pego uma semente errada
e nasça algo que vai  te surpreender.

Esperar que o outro enxergue em você 
todo amor que você tem
é um exercício de paciência, de apostas, de risco.
É esperar, querer, torcer para que o outro 
seja tão sensível quanto e sinta o mesmo que você.

Mas, pode não acontecer.

(Thaís Moura)
  


 

quarta-feira, 5 de março de 2014

O que restou



E ali ela está, como sempre sozinha.
Como sempre na dela,
habituada a essa condição.

As vezes com o olhar perdido,
com os ouvidos distantes,
com palavras perdidas
e com o pensamento muito longe.

Quando se lembra de pensar, pensa na vida,
na sobrevida, no sobreviver.
Pensa no que não foi, no que não é
e no que nunca será.

Sentada naquele banco, ninguém se aproxima.
Parece que ela usa um repelente contra gente
mas é apenas o seu pensamento 
torcendo para que ninguém se sente ali.

Não quer ser incomodada, se sentir invadida.
Só queria que, vez ou outra, alguma coisa,
(mas, que coisa?) a tirasse do transe.

Se sente mais um zumbi do que gente,
coração já nem consegue amar por muito tempo.
Eis o resultado de tanto pedir um coração de gelo.

Ela um dia disse em voz alta, porém, a ela mesma:
"Quando se acostuma com o não ter,
quase ter não faz sentido e ter, quando tem,
merece uma longa explicação".

Naquele banco, em vida, jaz uma vida 
outrora bem vivida mas, perdida entre idas e vindas.
vida que não se recupera outra vez.

Thaís Moura

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sofrer para que?

Depois de uma frase lida eu fiquei pensando na seguinte pergunta:
Você "sofre por amor" porque acha que é normal ou porque não consegue ficar sem sofrer, se acostumou com a dor?

Vou tentar explicar: Partindo do ponto que amor não machuca, que amor é vida, que amor só faz bem, então porque as pessoas, por vezes e vezes seguidas, se permitem "sofrer por amor"? Porque elas não querem enxergar a opção "eu não mereço sofrer"? Será que o prazer na dor é tão grande?
Pior, como sentir prazer infligindo tamanha dor?

Todos me questionam porque eu desisti, porque eu sou fechada, porque eu não dou uma chance para a vida, para o amor. 
Minha resposta é simples: cansei de sofrer pela falta dele e cansei de fazer da minha vida uma linda voyeur, que adora assistir as coisas ruins que acontecem e parece se alimentar delas. 
Se eu sou feliz assim? Não, eu não sou. Pelo menos eu não ando chorando a toa, chorando por nada.

Infelizmente, somos condicionados e educados a pensar que TODOS nós vamos nascer, crescer, encontrar alguém no ponto de ônibus, namorar, noivar, casar, ter filhos e morrer. 
Sinto te informar que isso não é verdade! Nem tudo é para todos, eu não sou igual as minhas amigas, igual a minha mãe, igual a minha vizinha... eu faço parte da classe dos "legais demais mas, não vai encontrar ninguém" e tem muitas outras pessoas assim por aí, infelizmente.
Não acho isso justo mas, é assim que é, é assim que está sendo e não vou sofrer por isso 24 horas por dia, não vou pensar na falta todo santo dia.
Vou seguir, e isso basta.

(Thaís Moura)

sábado, 2 de novembro de 2013

Apenas dizendo...

Chega um momento na vida em que algumas coisas são deixadas de lado.
Não porque sempre quisemos assim, mas porque é necessário.
Não adianta colocar força, determinação, trabalho, em algo que não dá resultado, 
que te faz sofrer ao invés de dar alegria. Calma... não estou dizendo para desistir no primeiro fracasso. Só creio que não devemos, e nem merecemos, 
gastar tanta energia e tempo sem obter resultado satisfatório.
Encarar como fracasso ou derrota é algo que, a princípio, vai ocorrer. 
Mas não deixe que permaneça por muito tempo. Sinta-se corajoso por ter desistido. 
Sim! Corajoso!
Para se desistir também é necessário coragem. Seria mais fácil se você fingisse 
estar tudo bem, lutar, lutar e lutar e na acontecer, ficar morto por dentro 
e por fora fingir vitória.
Não se pode permitir isso. Seja sincero com você mesmo. Admita que errou, que não deu certo, que está cansado e, no fim da lista, admita que talvez, o que tanto quer não foi feito para você.
Desanimador? Hum... um pouco. Mas é sincero. Você que possivelmente vai ler, sabe que falo a verdade. Quantas vezes lutou muito por algo, alguém, um motivo, um sentimento e de nada adiantou, sempre ficou no zero a zero? 
Se você tem ânimo e espírito para percorrer essa estrada até o fim de sua vida, não tem problema, algumas pessoas te darão força. Porém, mais uma vez insisto: não há nada de errado em aceitar a ausência, a falta, o não ter. 
Difícil, mas aprenda a conviver com o que você tem a sua volta, com as pessoas que lhe dão carinho, com as pequenas coisas que faz e dão prazer. 
Um dia essa ausência fica menor, e menor, e menor... 
Não sei se desaparece, pois a minha não desapareceu, mas posso dizer com toda certeza que, a vontade e a falta diminuem bastante.

(Thaís Moura)

sábado, 5 de outubro de 2013

Sem amor para recordar

"Hoje estava trabalhando na loja de cd´s e dvd´s,
quando um casal chegou e me perguntou:
Você têm um amor pra recordar?
Meus sentimentos, que já não andam nem um pouco bem, balançaram.
Acabei não aguentando e chorei.
Me esqueci de que eu era funcionário, e chorando eu disse:
"Não amigos, eu não tenho um amor pra recordar".
Eles ficaram me olhando de um jeito... depois ƒui perceber
que eles queriam o dvd do filme: Um amor pra recordar
e eu também não o tinha. Então eles foram embora, olhando pra mim.
Sei que onde estiverem jamais se esquecerão da cena."
(Descrição de uma comunidade do Orkut)


Hoje, 31 anos e não tenho o que recordar,
não tenho um amor para recordar.
E a pergunta se que sempre me martela,
me persegue: Por que eu não mereci ter 
um amor para que hoje eu pudesse recordar?

(Thaís Moura)

Seu aniversário


Hoje é o seu aniversário. Não me recordo ao certo
quantos anos completa mas, sei, hoje é seu aniversário.
Faz tanto tempo que tudo teve um fim só que, essa data,
estranhamente, eu não consigo esquecer, nunca esqueci.

Me perdi no tempo e não sei com que idade está,
não sei nem se está vivo! 
Caso esteja, nem faço ideia se está ou não feliz.

Feliz aniversário, onde quer que você esteja. 

(Thaís Moura)
 

terça-feira, 24 de setembro de 2013