quarta-feira, 22 de maio de 2013

Quase inexistente

Foto by Thaís Moura
 
Uma flor no chão.
Que ninguém repara
Que ninguém vê
Que não tem tanta importância.

Aquela flor caída.
Que não tem valor
Que um ou outro percebe
Que faz, vez ou outra, alguém pensar.

Florzinha simples.
Que tem sua beleza ignorada
Que tem a sua significância destruida
Que, de  forte, não tem nada.

Flor totalmente fora do lugar.
Que não sabe porque caiu de lá
Que não sabe o que faz ali
Que não sabe aonde vai ficar.

Florzinha leve.
Que espera que o vento lhe carregue
Que seja soprada para bem longe
Que de tão longe sua essência descanse.

(Thaís Moura)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Um dia



Que um dia eu possa olhar para tras e não ver nada,
que eu veja a diante e não sinta o que sinto,
que eu deseje sem ter receio,
que eu queira sem ter medo.

Que um dia eu ame, sendo amada por quem amo
que eu respeite, porque me respeita,
que eu me respeite, porque eu venho primeiro,
que eu encontre, não necessariamente você.

Que um dia eu queira, seja quem for,
que um dia eu ame, inclusive você.
Que um dia eu volte a ser eu, como um dia fui,
que um dia eu possa viver, como eu quiser.

(Thaís Moura)

Apenas refletindo...


"É muito melhor arriscar coisas grandiosas, 
alcançar triunfos e glórias, 
mesmo expondo-se a derrota, do que 
formar fila com os pobres de espírito 
que nem gozam muito e nem sofrem muito, 
porque vivem nessa penumbra cinzenta 
que não conhece vitória nem derrota." 
by Theodore Roosevelt



 Muito melhor mesmo é ser eu mesma, você ser você.
Ser alguém que não vê problema nenhum em sofrer
e admitir que sofre.
Muito melhor mesmo é não seguir o conselho, ora furado,
de alguém que, no momento, está feliz e nem sabe
como você está.
Engolir isso para que? Um placebo que deve funcionar 
para alguns crédulos de que Papai Noel existe.
A penumbra pode ser cinzenta, mas é a minha penumbra,
minha vida, minha realidade. 
Quem foi que disse que não conheço a derrota?
Com que certeza diz que "é melhor arriscar do que formar
fila com os pobres"?.
Os pobres de espírito... Ah, os chamados pobres de espírito...
Sofrer agora é ser pobre de espírito?
Quem sofre deve ter mais espírito do que os que se acham ricos dele.
Mil vezes me apoiar nos pobres do que engolir conselhos
dos supostamente ricos. Ricos de que? Ah sim... ricos da SUA verdade,
que respeito, mas não queira fazer dela a minha.

(Thaís Moura)          
 

sábado, 20 de abril de 2013

Imaginando ser feliz



De uns dias pra cá eu ando pensando. Pensando ou fantasiando? 
Enfim... ando imaginando 
(acho que ficou melhor).
Imaginando em como seria se aquele dia tivesse sido diferente. 
O que aconteceria se eu tivesse perguntado?
A sua resposta seria a que eu fantasio 
(agora é fantasiar mesmo!)?
Já conheço o rosto, mas tive que dar um nome, 
e acho que fui bem nessa escolha.
Tem horas em que forço a mente 
para poder lembrar dos detalhes, 
da voz,  dos gestos, de tudo.
Queria ter umas lembranças mais claras, 
menos escuras ou turvas. 
Queria ter lembranças mais doces, mais picantes, 
mais leves, mais sérias... concretas! Lembrança concreta? 
Se eu for me lembrar do bom e velho Português
e seus substantivos comuns e abstratos, 
eu acho que errei um pouco, né. 
Mas quem costuma ler sentindo 
vai entender o que eu quis dizer, o que sinto. 

Queria ter uma lembrança onde de fato as coisas aconteceram, 
não queria mais ter que ficar inventando algo 
para me iludir e fingir que aconteceu. 
Essa coisa de Cazuza e seu adorar um amor inventado,
me desculpe, para mim não dá. 
Posso estar até pegando essa parte fora do contexto, 
mas ela sozinha significa o obvio.
Acho que me perdi um pouco nos meus pensamentos, 
ninguém entenderá nada, 
mas não tem problema, eu só queria dizer...

Ainda continuo pensando. Pensando se verei, 
se vou reencontrar, 
se terei, se nada terei que inventar 
ou se apenas será mais um capítulo 
dessa história de pré vida que tenho. 

Esses dias eu tenho permitido me iludir, 
tenho permitido viver de fantasias.
Não sei porque me permiti algo do tipo! 
Talvez pelo fato de ter dias em que, para sentir um  carinho, 
tenho que criar todo roteiro do carinho pretendido, 
do carinho desejado. 
As vezes é necessário acarinhar a imaginação.

(Thaís Moura)

quinta-feira, 11 de abril de 2013




Só gostaria que entendessem: 
eu gosto de ficar calada, gosto de ficar sozinha.
Já me acostumei com esses períodos de silêncio e plena solidão. 
Tem coisas que não deveriam ser, mas são. 
Algumas coisas acontecem 
quando não deveriam acontecer, 
enquanto outras, bem, 
não acontecem, nada acontece. 
Só quero aproveitar esse nada 
para tentar descansar meu corpo, minha mente... 
tentar organizar o que aqui dentro está 
uma verdadeira bagunça, 
uma espécie de mar revolto.


Eu não seria boa companhia a ninguém 
e não quero que alguém 
sinta a obrigação de me fazer companhia, 
cada um sabe daquilo que se deve ou não fazer.
Só quero ficar com minha mente tranquila. 
Não quero pensar em nada, em coisa alguma. 
Apenas quero tentar encontrar 
uma tranquilidade e equilíbrio 
que antes eu possuía, mas agora não possuo mais. 

(Thaís Moura)

sexta-feira, 29 de março de 2013

Apenas um desabafo

Algumas pessoas não fazem ideia de como é sofrer um preconceito. De como é ser desrespeitada ou virar piada simplesmente por seu tipo físico, por exemplo.
Sou negra e sou gorda (embora alguns digam que sou gordinha e outras digam que sou enorme) mas eu nunca sofri preconceito pela cor da minha pele, agora por ser gorda... eu sinto que sofro todos os dias. Olhares tortos, comentários que começam com "posso dizer algo, mas não me leve a mal?", "você tem um rosto bonito, porque não emagrece?".
As pessoas sabem ser cruéis quando querem e eu sei muito bem como isso funciona. Infelizmente não basta ser apenas inteligente, tem que ser magra ou cheinha (que na verdade nem é gordinha mas sim uma mulher com pernas grossas e quadril largo, mas para dizer que gostam de gordinhas, as classificam assim, como cheinhas).

Diferença entre chenhas e gordas? Tem. Mas isso não deveria fazer com que uma tenha mais vida que a outra, mais respeito, mais tudo. São pessoas como qualquer outras, eu sou uma pessoas como qualquer outra. Pelo menos deveria ser assim.
Eu sei o que são olhares preconceituosos, brincadeiras de mal gosto, risos e piadinhas sem graça alguma. Mas espera... elas tem graça sim. Tem graça para quem faz porque não sabe e não faz ideia do que é ser assim. Nunca vou entender esse nojo que as pessoas tem por pessoas como eu, nunca entenderei esse preconceito estúpido.
A cada dia que passa eu não me sinto sozinha, eu tenho certeza de que estou e sou sozinha.
Mundo idiota com pessoas mais idiotas ainda. 

Foto by Thaís Moura
"Ando devagar porque já tive pressa...".
Já tive tanta pressa, tanto querer, um desejar infinito 
que nem cabia em mim.
Perdi as contas de quantas vezes eu dormi querendo sentir um abraço,
um afago, um alguém ali, perto, próximo. 
Apenas sentir e nada mais.
Tenho a péssima mania de dormir me abraçando, 
ou como se fosse isso. É tão desconfortável , triste, 
meio irritante e algo inaceitável. 

Cansei de ficar imaginando o dia, mês, ano, a hora perfeita ou imperfeita
em que eu conheceria alguém, você. Passaram dias, meses, anos, e muitos anos, mas não veio nada, não veio ninguém.
Eu tinha tanta pressa em querer ser uma adolescente normal, com uma vida normal, fases normais. Como as minhas amigas tiveram. Porque eu não tive?
Eu tinha pressa de escrever um nome num caderno qualquer, encher de corações e ficar sonhando. Eu tinha pressa de ter um frio na barriga e pensar "ele está chegando". Uma pressa danada em esperar um telefonema, que nunca veio.

Hoje eu ando devagar, bem devagarinho... ou decidi parar de andar, pelo menos por esse caminho. 
Não tenho pressa de que alguém chegue, de pensar que exista alguém que está me procurando ou esperando que eu apareça em algum lugar.
Para que ter pressa por alguém que não vai te aceitar como é, que colocará um probleminha em cada lugar, que não te entenderá e nem respeitará?

Não vejo nenhum motivo para ter pressa, mesmo sabendo que a vida é curta.
Ninguém tem pressa quando já decidiu caminhar sozinho, quando já aceitou os fatos, quando pegou a solidão para dançar, rir e chorar. 

(Thaís Moura)